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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Influência da Ansiedade no Rendimento Académico

*Custódio Sumbane
·         Introdução

Esta pesquisa foi realizada com vista a dar resposta aos altos índices de reprovações que se tem vindo a observar nas escolas, principalmente, nas classes terminais. Se os resultados desta pesquisa forem aproveitados, da melhor maneira, podem responder as preocupações do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano no que concerne à situações desastrosas que assolam as Escolas nos tempos que correm. Constatamos que existem vários factores que influênciam a prevalência de altos índices de reprovações nas classes terminais, mas a ansiedade é um dos factores determinantes nesse processo. Ansiedade é vista como uma emoção caracterizada por sentimentos de antecipação de perigo, tensão, e sofrimento e por tendências de esquiva ou fuga. E face a Matemática é uma condição caracterizada por padrões de fuga e esquiva em situações que exigem o uso da matemática, bem como reacções fisiológicas desagradáveis, atribuições negativas à matemática e auto-atribuições negativas.

Nesse estudo, foram levantados os seguintes objectivos de pesquisa: Objectivo geral: (i) Compreender a influência que a Ansiedade exerce no Rendimento Académico dos alunos na disciplina de Matemática. E para a operacionalização deste objectivo, definiu-se os seguintes objectivos específicos: (i) Descrever as condições prévias da ansiedade; (ii) Descrever o rendimento académico dos alunos; (iii) Relacionar o nível de ansiedade e o rendimento académico.
Quanto a metodologia usada neste estudo, foi uma pesquisa quantitativa que visa, essencialmente, traduzir em números as opiniões e informações para serem classificadas e analisadas, e utilizam-se técnicas estatísticas. E a pesquisa qualitativa, descreve as informações obtidas que não podem ser quantificáveis. Em relação a apresentação, análise e interpretação de dados, recorreu-se a um programa estatístico, SPSS.

Contudo, este estudo é de extrema importância, pois vai, de certa forma, melhorar a situação actual da Educação e das reprovaçõees na displina de Matemática, visto que, tem se observado um surto de reprovações em massa nas escolas, principalmente,  nas classes terminais como a 10ª classe.
Palavras-chave: Ansiedade, Aprendizagem, Rendimento Académico, Matemática

·         A Ansiedade nas Sociedades Académicas Actuais

Ansiedade é uma emoção caracterizada por sentimentos de antecipação de perigo, tensão e sofrimento e por tendências de esquiva ou fuga. O medo poderia ser definido da mesma forma. Para distinguir os dois, precisamos observar outras potencialidades tais como o objecto de estudo. Enquanto na ansiedade as pessoas podem sentir-se ansiosas sem saber por quê, no medo o objecto é de fácil identificação, Davidoff, (2001: 390).
Segundo Davidoff, (2001:401), a ansiedade sinterfere no rendimento do aluno, principalmente na fase da realização das provas dificultando a capacidade de recuperação da informação aprendida. Isso ocorre porque a sua atenção está virada entre as exigências da tarefa e sentimentos de cobrança, diminuindo o nível de concentração e o desempenho em situações de avaliação. As reacções automáticas ou fisiológicas evocadas pela pressão ambiental ou estresse da avaliação e à percepção destas reacções que tomam conta dos alunos. Estas reacções para Cury, (2000:22), envolvem também sintomas psicossomáticos como taquicardia, suor excessivo, aumento da frequência respiratória. 

·         Relação da Ansiedade e Aprendizage

A ansiedade tem efeitos de longo prazo sobre o processo de ensino e aprendizagem e no equilíbrio físico, psicológico e social. E das várias consequências, a cognitiva é uma delas (Davidoff, 2001: 401). Geralmente, um estudante com ansiedade face a Matemática tem dificuldades em se concentrar e resolver exercícios Matemáticos em casa e pode se mostrar agressivo ao ser colocado alguma questão relacionada com a Matemática. E nestas condições, o aluno ou estudante pode apresentar taquicardia ao realizar exames Matemáticos (Carmo, 2011), citado por (Carmo e Simiato, 2012:318). 
Estudos têm demonstrado que a ansiedade face aos testes tem efeitos extremamente fortes e os alunos com altos níveis de ansiedade perante os testes têm apresentado resultados demasiadamente baixos (Magalhães, 1999: 101). As reacções fisiológicas que se apresentam nessas ocasiões impedem o bom desempenho e a resolução de tarefas matemáticas, prejudicando nas tarefas que envolvem a ansiedade e as que poderão ser realizadas subsequentemente como testes, exames ou outras situações diárias.

·         Relação da Ansiedade e o Rendimento Académico

Na perspectiva de  Davidoff, (2001: 401), a ansiedade sinterfere no rendimento académico dos alunos, principalmente na fase da realização das provas dificultando a capacidade da recuperação da informação aprendida. Isso ocorre porque a sua atenção está virada entre as exigências da tarefa e sentimentos de cobrança, diminuindo o nível de concentração e o desempenho em situações de avaliação. As reacções automáticas ou fisiológicas evocadas pela pressão ambiental ou estresse da avaliação e à percepção destas reacções tomam conta dos alunos.

Neste sentido, a ansiedade face aos testes constitui uma enorme preocupação para toda a comunidade educativa, porque os estudantes, quando são submetidos a uma avaliação, tendem a reagir com altos níveis da ansiedade, comprometendo o seu desempenho académico (Bzuneck & Silva, 1989), citado por (Janeiro, 2013: 84).
Por sua vez, Lourenço (2012:161), defende a possibilidade de que, ambientes de avaliação de exames constituem, na maioria dos casos, um problema na vida dos estudantes na medida em que afecta o seu desempenho e tem consequências na sua vida pessoal e social. Os indivíduos que apresentam uma ansiedade elevada nos exames tendem a perceber as situações de avaliação como perigosas e consequentemente, enfrentam estas com medo e apreensão.

·         A Ansiedade e a Linguagem Matemática

Na perspectiva de Carmo, (2008), et al., citado por Carmo e Simiato, (2012:4), existe vários factores que influenciam no desencadeamento da ansiedade em relação à matemática, mas a forma como esta disciplina é leccionada influencia, consideravelmente, no surgimento da ansiedade. Os professores explicam a matéria superficialmente e não estimulam os alunos ao espírito de debate sobre a disciplina de Matemática muito menos mostram a sua relevância na prática diária. Eles reforçam respostas dadas com exactidão, sem considerar o raciocínio desenvolvido pelo aluno, cobram demais aos alunos ou exigem a rapidez na resolução dos exercícios e na memorização de regras para esse fim.

Factores que Influenciam o Surgimento da Ansiedade face a Matemática

Existem vários factores que influenciam, a estória da matemática, o ambiente da aula de aula, a atitude do professor, a motivação,  exigências exacerbadas, exigência de respostas exactas, experiências e aprendizagens anteriores, medo entre outros,  mas a ansiedade é um componente determinante nesse processo.

Constatações do Estudo

·         Os alunos assumem que o nervosismo, a tensão, o medo, a preocupação aumentam, de certa forma, a prevalência de altos índices de ansiedade no teste de Matemática. E grande parte de alunos assume que desconfiam de si próprios, das suas próprias capacidades e habilidades. Costumam pensar se as respostas que deram no teste foram as melhores e estes pensamentos perseguem-lhes durante algum tempo.

·         A ansiedade toma conta dos alunos antes e durante o processo da realização do teste de Matemática, o que dificulta o processo da recuperação de informação na memória. Esse posicionamento corrobora com o modelo de processamento de informação quando defende a possibilidade de que para se lembrarem de qualquer coisa, as pessoas precisam codificar, armazenar e recuperar a informação (Davidoff, 2001: 401). E a ansiedade altera a codificação e a recuperação de informação na memória.

·         Grande parte dos alunos, às vezes, fica perseguida com pensamentos negativos, e preocupados com a sua situação académica. Em detrimento disso, outra parte alega que sempre fica preocupada com o que pode acontecer com o seu rendimento académico e desconfiam das suas potencialidades. E segundo Janeiro (2013: 85), pode-se afirmar que, quanto mais negativa for a percepção que os alunos têm acerca de si próprios, mais elevados serão os níveis de ansiedade.

·         Existe uma relação dialéctica entre a ansiedade e a Matemática, visto que o rendimento académico dos alunos foi baixo, o que ilustrou, claramente, a prevalência de níveis de ansiedade. E frequentemente apresentam-se ansiosos antes e/ou durante a realização do teste de Matemática.

·         A desconfiança que os alunos têm de si próprios, das suas próprias capacidades e habilidades, o ambiente e os pensamentos negativos que lhes perseguem podem influenciar no desencadeamento de níveis altos de ansiedade e consequentemente o baixo rendimento académico. Um ambiente tenso acompanhado de estímulos negativos e pressão por parte do professor, pode também influenciar.

·         Estes resultados corroboram com a evidência empírica de Magalhães (1999: 101), quando defende que a ansiedade face aos testes têm efeitos extremamente fortes e os alunos com altos níveis de ansiedade tem apresentado resultados demasiadamente baixos. As reacções fisiológicas que se apresentam nessas ocasiões impedem o bom desempenho dos alunos e na resolução de tarefas matemáticas, prejudicando nas tarefas que envolvem a ansiedade e as que poderão ser realizadas subsequentemente como testes, exame ou outras situações diárias.

·         Sugestões

·         Quanto às estratégias de reversão de ansiedade, os professores deviam fazer perceber aos seus educandos que a disciplina de matemática é como qualquer outra e pode ser assimilada, da melhor forma possível, independentemente do índice de dificuldade e, ela tem uma extrema relevância no seu quotidiano. É preciso que se inverta a história da Matemática, visto que as pessoas têm a ideia de que a Matemática é difícil, ou seja, apresenta altos índices de dificuldades, tendo única fórmula e solução, dai que os alunos entram na sala de aula com ideias fixas, negativas, e imutáveis em relação a Matemática.
               
·         É necessário promover debates e interacção efectiva e afectiva na sala de aula por forma a facilitar a percepção de que existe vários caminhos para a materialização das operações matemáticas. É preciso remover todos os estímulos negativos e criar um ambiente favorável e estimulante para a ocorrência eficaz e efectiva do processo da assimilação e acomodação dos conteúdos matemáticos. Os professores deviam utilizar uma linguagem Matemática que equivale ao nível de desenvolvimento dos alunos, pois pode facilitar o processo de acomodação dos conteúdos leccionados.

·         E a evidência empírica aponta que, os professores não deviam na sala de aula: Pressionar os alunos para responder rápida e correctamente as questões propostas sobre a matéria; estimular competição entre colegas; aplicar muitos testes e humilhar os alunos que apresentarem algum tipo de dúvida sobre Matemática ou demorarem a entender o raciocínio exigido em determinado exercício Tobias (1978), citado por Carmo e Simionato, (2012:321-322). Ensinar não é simplesmente ditar os apontamentos mas saber formar alunos e exigir de si mesmo a presença efectiva e afectiva, pois se aprende também ouvindo, observando, admirando, imitando, confiando, criticando, apaixonando-se, conflituando, recriando e refazendo relações. Esse modelo é fundamental para os alunos ansiosos (Oliveira, 2008: 33).

·         Quanto aos alunos, deviam ir a sala de aula bem preparados e confiantes em si próprios e acima de tudo devem auto-regular a sua aprendizagem. Durante a realização do teste deviam elevar a sua auto-estima, auto-confiança e determinação, e manter, acima de tudo, um relaxamento corporal sempre que resolverem exercícios matemáticos.

·         Conclusão

A ansiedade altera a codificação e a recuperação de informação na memória. Entretanto, perante esta situação, chegamos a conclusão de que a preocupação, o medo, o nervosismo, a tensão e os sintomas psicossomáticos aumentam a prevalência de níveis de ansiedade antes e  durante o processo da realização do teste de matemática e dificulta a recuperação de informação na memória. Existem vários factores que influenciam, a estória da matemática, o ambiente da aula de aula, a atitude do professor, a motivação,  exigências exacerbadas, exigência de respostas exactas, experiências e aprendizagens anteriores, medo entre outros,  mas a ansiedade é um componente determinante nesse processo.  Sendo assim, é responsabilidade de todos os intervenientes sociais contribuirem para a mudança desta situação. E o psicólogo desempenha um papel demasiadamente fundamental na melhoria da situação actual da educação dado que apresenta um olhar clínico apurado para melhor lidar com qualquer situação académica e social evidar esforco para virar a história educacional. Ele procura optimizar e facilitar o processo de ensino e aprendizagem trabalhando os aspectos mentais, afecto-emocionais e sociais do aluno que influenciam na sua vida social e académica.

*Psicólogo

sábado, 8 de outubro de 2016

Inteligência Emocional nas Mulheres

*Custódio Sumbane
Já dizia Augusto Cury que "as mulheres são mais inteligentes do que os homens, se elas fossem generais provavelmente não haveria guerras, pois não teriam coragem de enviar seus filhos aos campos de batalhas enquanto os homens por muito pouco os enviam".

São tão sentimentalistas que acabam desenvolvendo inteligência emocional em relação aos homens, e resolvem qualquer problema ou conflito, tanto conjugal como familiar ou social sem recurso a força física. Inteligência Emocional é a arte de compreender, na íntegra, "os solos da emoção" do ser existencial e lidar com qualquer situação da vida independentemente da dimensão. Refere-se ainda, ao uso do raciocínio lógico com base em evidências concretas mantendo as "janelas do território da emoção" no estado mais alto de tranquilidade, não permitindo que se abale o alicerce da felicidade.

São suficientemente inteligentes que chegam a lidar com fortes emoções como depressão, frustração, sintomas de ansiedade, tristeza, angustia, entre outras e sem, no entanto, desistir dos seus objectivos. A sua longanimidade, as torna capazes de manter o equilíbrio socioemocional e resistir à situações demasiadamente sufocantes. A título de exemplo, pode se falar do processo de gestação, que carece de cuidados e atenção de todos os intervenientes sociais para garantia do desenvolvimento físico, mental e social do feto. Mas no geral, encontramos situações de homens que engravidam, sem de ter antes planificado e, em consequência, deixam a responsabilidade para as mulheres. Não só o consumo de substâncias psicotrópicas que alteram o desenvolvimento normal das crianças, mas também a saúde emocional da mãe influi consideravelmente. E em resultado, as crianças nascem com baixo peso, quociente de inteligência abaixo da média, lento desenvolvimento da linguagem ou psicomotricidade, crianças hiperactivas com défice de atenção, entre outros.

·         Dificuldades da Vida

Apesar de tantas atrocidades, as mulheres sacrificam de tal maneira que os filhos cresçam saudáveis e nunca durmam a fome. Esta e tantas outras formas revelam, profundamente, o seu mais alto sentido de responsabilidade e inteligência emocional, capaz de compreender e lidar com fenómenos e situações devastadoras. Essa inteligência, detona o gatilho da memória e abranda os becos das janelas da memória bloqueando o gerador de pensamentos negativos. E em resultado, desenvolve a empatia, isto é, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Alimenta as janelas mentais, e desenvolve o espírito de solidariedade, a arte de bem-estar, respeitar a vida e lidar com o próximo.

·         Os Maiores Tesouros do Mundo

Não existe um Homem capaz de compreender, de forma inteligente, as suas emoções e de outrem, e resolver problemas extremamente dolorosos mantendo a "esfera socioemocional" em estado de equilíbrio, como as mulheres. Elas são os maiores tesouros do mundo.
O homem pode reprovar de classe, perder emprego ou sofrer descriminação, entretanto, alimenta esperança e volta, novamente, a reconquistá-los, isto é, recupera os bens perdidos até transita de classe. Ele adopta todos os mecanismos e revoluciona a direcção da sua página de vida. Mas, quando o seu relacionamento se rompe, ora pode tornar-se no maior consumidor de substâncias psicotrópicas do século, viver desorganizadamente, frustrado ora deprimido. E aos poucos, pode perder o seu sentido existencial. Alguns, acabam vendendo seus bens materiais e, outros filtram-se no mundo da delinquência. Entretanto, deve se reconhecer que a mulher é o "backup" de qualquer família a nível do mundo e que "por detrás de um grande homem existe uma grande mulher"

 Liderança, Gestão e Finanças

Há quem diga que, os homens são maiores líderes, gestores e financiadores familiares e empresariais do mundo. Entretanto, a experiência mostra que, as mulheres são geneticamente gestoras financeiras dado que conseguem, mesmo em situação de crise familiar e financeira, poupar da melhor forma, o pouco vencimento do marido. Enquanto alguns homens pensam primeiro em diversão, as mulheres em fazer compras para o bem-estar da família.

·         Reflexão

Sei que está, neste momento, lendo este artigo e gostava que respondesse a seguinte pergunta: O que faria se encontrasse a sua esposa na cama com outro homem? O que se pretende discutir aqui não é o pecado, apenas para perceber as formas que os homens usam para resolver problemas. Ora preferem dialogar, fugir ora o recurso a forca física. Há quem pode se basear na Bíblia Sagrada para se defender das suas fragilidades. E quero acreditar que, há outros que entrariam em pancadarias e a posterior divórcio ou separação. São poucos os homens que resolveriam essa situação com tanta delicadeza e tranquilidade. E as mulheres, como se comportariam? Em verdade, elas entrariam em estado de pânico, ficariam frustradas, tristes, deprimidas, angustiadas até com vontade de cometer suicídio, mas o fim último da mulher seria a resolução pacífica do mesmo, o perdão.

Com esta abordagem, não se pretende aqui desvalorizar os homens, muito menos medir as suas capacidades, mas fazer entender que os problemas fazem parte da vida e a arte da sua resolução cultiva-se. Deviam, no entanto, aplicar a pacificidade na resolução de qualquer situação independentemente dos índices de dificuldades.

Portanto, a mulher é a maior gestora de todos os tempos dado que consegue revolucionar a página da sua vida, dos filhos, família e da sociedade. É o garante ou a base existencial de qualquer família a nível do mundo. Isto revela, claramente, a existência de uma inteligência tão rara nos Homens. Meus parabéns!

*Psicólogo

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Intervenção Psicológica para Comportamentos Desviantes

Custódio Sumbane

Introdução

Pretende-se neste artigo abordar sobre comportamentos desviantes, suas influências e estratégias de intervenção psicológica. No nosso dia-a-dia, deparamo-nos com dilemas que fazem com que não tenhamos alegria no anfiteatro ou nos solos da nossa emoção, ou seja, sem saber como lidar com eles ou mesmo superá-los.
Há comportamentos que em algum momento bloqueiam o curso normal do anfiteatro da nossa estrutura cognitiva, podendo, de alguma forma, causar danos a nível emocional, cognitivo e até social. O consumo e abuso de álcool, drogas opióides-heroina, morfina, metadona, LSD, mescalina, psilocibina e marijuana e o haxixe são alguns dos comportamentos desviantes que aceleram de certa maneira a ruptura na maneira como as pessoas se comportam.
Existem vários tipos de categorias de drogas que estão tipicamente associadas a situações de abuso e/ou dependência, tais como os depressores estimulantes, alucinogénios e canabinóides.

•         Comportamento Desviante

Comportamento desviante é aquele que envolve uma transgressão ou violação de normas e expectativas sociais ou que é considerado desviante por um grupo de indivíduos ou pela comunidade. Por exemplo, uma intervenção a nível de um problema como o consumo de drogas. Campos, (1990:219).
As teorias da reacção social sustentam que o significado que se atribui a um determinado comportamento é bastante mais importante do que o comportamento considerado na sua realidade objectiva. As abordagens tradicionais e modernas baseiam-se em pressupostos teóricos e filosóficos bastante distantes ou mesmo contraditórias, as quais envolvem a utilização de grelhas de análise e métodos de investigação específicos.
Existem quatro tipos de categorias de drogas que estão tipicamente associadas a situações de abuso e/ou dependência, a saber:
Os depressores (álcool, drogas opióides-heroina, morfina, metadona, codeína), estimulantes (anfetaminas e a cocaína), alucinogénios (LSD, mescalina, a psilocibina) e canabinóides (marijuana e o haxixe). Campos, (1990: 219-222).
A literatura tem demonstrado a existência de uma clara associação entre o uso de drogas e fraco rendimento escolar. Um dado largamente referenciado na literatura prende-se com a relação observada entre o uso de drogas e o envolvimento do adolescente em actividades delinquentes e anti-sociais. Smart & Fejer, (1972), citado por Campos, (1990:224).

•         Delinquência Juvenil

Delinquente é assim considerado a partir do momento em que o indivíduo é alvo de uma acção judicial de que dependerá resultar a sua punição. Uma classificação que reúne um considerável consenso agrupa os actos delinquentes com base no seguinte critério: delinquência menor (actos considerados ilegais devido, exclusivamente, à idade do transgressor); delinquência de predação (prática de actos de gravidade média como o vandalismo e o roubo) e delinquência agressiva (actos de maior gravidade, como o homicídio, o rapto ou a violação, os quais implicam a utilização da força física).
No que diz respeito aos aspectos gerais de álcool e de drogas na adolescência, os resultados obtidos nos estudos feitos raramente fornecem dados convergentes acerca das características que o problema assume na adolescência. Não obstante, a diversidade de resultados é, no entanto, possível enunciar algumas conclusões comuns à maioria das investigações realizadas neste domínio. A primeira diz respeito ao tipo de substâncias psicotrópicas que são mais frequentemente utilizadas pelo adolescente.

No Canadá, por exemplo, um inquérito conduzido em 1984 junto de 1683 alunos a frequentarem 34 escolas francófonas, revelou que as drogas mais utilizadas foram, por ordem decrescente, o álcool (42,7%), o tabaco (29,7%), a canábis (15%), os medicamentos (3,8%), a cocaína (3,8%) e a cola (0,8 %). Outros estudos realizados em Portugal junto de 312 estudantes a frequentar seis escolas secundárias indicou, igualmente, que o álcool constituía a droga mais utilizada pelos jovens (35,9%), seguindo-se o consumo de tabaco (25,2%) e o uso de drogas ilícitas (7,5%), cujos tipos não foram especificados neste estudo, Carvalho (1983), citado por Campos (1990:223).

No que se refere à repartição do consumo de drogas e álcool em função de variáveis como a idade ou sexo, verifica-se, de um modo geral, que a frequência do consumo aumenta proporcionalmente com a idade e que é maior nos rapazes do que nas raparigas. Outro dado comum à maioria das investigações diz respeito ao que se designa, habitualmente, por consumo cumulativo de drogas. Carvalho (1983): Braucht (1982) citado por Campos (1990:223).
VÁRIAS pesquisas foram realizadas em várias partes do mundo como Canadá, Estados Unidos da América, França, Portugal, entre outros pontos de referência, e revelam claramente que as drogas psicotrópicas e o consumo do álcool têm assolado a camada juvenil, visto que esta é uma fase de muita crise em que os adolescentes sofrem influência social, isto é, influência dos amigos, da escola, igreja, família e modelos sociais.
As frustrações e pressão social podem levar a que os adolescentes se refugiem nas drogas como forma de busca do sentido da vida e de auto-afirmação.

A nível familiar: As formas mais graves de consumo de drogas seriam, predominantemente, em ambiente familiar. Qualquer que seja a importância que se atribua à família na iniciação do adolescente no uso de álcool e drogas, parece demonstrado que relações familiares positivas desencorajam o consumo daquelas substâncias, enquanto a instabilidade familiar e o divórcio podem promover o consumo. O abuso de drogas é como um fenómeno que afecta o sistema familiar no seu conjunto, desencadeando reacções e mecanismos de resposta de todos os seus membros. Baumrind (1980), citado por Campos (1990:226).

O grupo de companheiros: Parece ser dominante não só em influenciar as atitudes do adolescente em relação ao álcool e drogas, mas igualmente em fornecer contextos para o uso daquelas substâncias. Investigações demonstram a existência de uma forte correlação entre o uso de drogas pelo adolescente e o uso de drogas pelo grupo de amigos (Stanton, 1979, citado por Campos, 1990:227).

Perspectivas de intervenção psicológica

As diferentes estratégias de controlo do abuso do álcool e drogas poderão ser globalmente incluídas em três domínios gerais de intervenção: prevenção, tratamento e reinserção ou reabilitação.
Se considerarmos que o abuso de drogas é um fenómeno de adolescência, facilmente se reconhecerá a importância da escola enquanto agente dinamizador de acções orientadas para a sua prevenção (Botvin, 1983, citado por Campos, 1990:232).
De referir que o psicólogo pode adoptar várias estratégias ou perspectivas de intervenção para contribuir no que diz respeito ao fortalecimento das regras e relações interpessoais. E esta intervenção pode ser feita da seguinte maneira: (i) Aplicação de estratégias para o desenvolvimento de uma comunicação interpessoal saudável entre a família e os adolescentes; (ii) A construção de um ambiente de confiança e de respeito mútuo; (iii) Verificação de ambiguidades e conflitos existentes nas relações e a construção de normas e regras básicas de convivência. (iv) Pode colaborar e participar no processo de construção de regras no qual os indivíduos estão incluídos, dando suporte aos professores, pais e encarregados de educação, a comunidade e gestores na elaboração de regras que não estejam somente relacionadas ao âmbito pedagógico, mas que estejam, também, voltadas para a organização e fortalecimento das relações entre os alunos, professores e pais e encarregados de educação.

Conclusão 

Depois de várias abordagens desenvolvidas, chega-se à conclusão de que comportamentos desviantes são quaisquer procedimentos que envolvem uma transgressão ou violação de normas e expectativas sociais, o que é considerado desviante por um grupo de indivíduos ou pela comunidade. Esses comportamentos envolvem basicamente o consumo do álcool, drogas diversificadas, que transformam a maneira normal do indivíduo num caos. O sistema escolar pode desempenhar um papel muito importante na prevenção de comportamentos desviantes juvenis. Todavia, a escola e a experiência escolar constituem factores susceptíveis de precipitar a emergência de comportamentos desajustados na criança e no adolescente. Os dados da investigação mais recente acumulados no domínio específico da delinquência são, a este propósito, elucidativos. Em termos gerais, diríamos que a escola será tanto mais eficaz na prevenção do desvio juvenil quanto se assumir como vector essencial do desenvolvimento psicológico do indivíduo. Ao contrário, as instituições escolares podem transformar-se num meio de exclusão, eventualmente potenciador desses problemas (Digneffe, 1986, citado por Campos,1990:245).
Psicólogo